sexta-feira, 9 de novembro de 2012

25 anos e 2 dias

Esta é a idade exata da minha família.
Aquele homem de cabelos enrolados, não coincidentemente, iguais ao meu e de nariz avantajado, não coincidentemente novamente, igual ao meu que muito sabe das coisas, que é tão conservador quanto um monge que vive em montanhas afastadas de um lugar que nem a geografia nomeou ainda, que muito trabalha, que muito se esforça, que pouco abre mão do trabalho e que nunca abre mão da fé. "O trabalho dignifica o homem" - Max Weber. Não é o dinheiro que o dignifica, e sim seu trabalho que só é feito para construir ou manter o mundo em sua ordem.
Aquela mulher dos cabelos negros, lisos, macios, gostosos de pentear que eu não consigo dizer mulher sem pensar em uma menina e que não consigo dizer menina sem pensar em uma mulher. Barriga no fogão, um olho na TV, pernas pro alto, um dedo no Facebook, deitada no bate e volta, passando o cartão tanto pra comprar quanto pra vender. Uma caixa de surpresas que solta sabedorias nos momentos mais inesperados; imagino que foi assim que foi criada: mil funcionalidades, mil ensinamentos aleatórios que são levados não por acaso.
Eles se conheceram de alguma maneira, não me recordo como. Se casaram e no dia que selaram a união eu já me considero viva. Considero vivas Mônica, eu e Ludmila. Considero viva a nossa história, até mesmo a que ainda não aconteceu, mas está aí, pronta pra viver.
Somos 5, somos diferentes, somos iguais, somos 4 meninas e 1 homem. Amamos, gritamos, conversamos, rimos, trocamos favores, trocamos peças de roupas, trocamos sorrisos, trocamos xingamentos, trocamos de cama, trocamos de toalha, trocamos de calcinha, trocamos de copo, trocamos de lado no sofá, trocamos palavras, trocamos ouvidos, trocamos conselhos, trocamos experiências, trocamos sugestões, trocamos sentimentos. Vivemos em associação mutualística, nada é de ninguém, tudo é de todo mundo e pra mim família é isso.

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